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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Saindo do impasse

Passada a reunião do G20, onde grandes produtores de bens manufaturados, não importa a sua situação fianceira, estão lambendo as feridas que causaram a eles mesmos; feridas estas que não mais cicratizam devido a uma simples razão: seus povos não estão mais se importando em crescer, pois já cresceram bastante. O conforto que seus Estados lhes proporcionaram parece que lhes tirou o ânimo de ir buscar novas conquistas. Acabaram deixando os chineses produzirem o que para estes sairia a preços irrisórios, não compensava o esforço de produção e muito menos o lucro exigido.
Que esta lição sirva para nós que estamos ingressando em um novo patamar de desenvolvimento. Que não caiamos no mesmo erro, a de importar e produzir fora, para que não tenhamos no futuro que recorrer ao expediente de ter que negociar a soberania da moeda, já que a da produção foi perdida.
Isto serve como um aviso e acho que devemos desencadear uma campanha que, mesmo parecendo chauvinista, é, e sempre será, salutar: dar preferência aos produtos brasileiros. Mesmo mais caros? Alguém diria. Sim, mesmo mais caros, caso contrário ao da postergação da compra.
Não consigo ver sem me irritar, nas prateleiras de supermercados, produtos absolutamente simples de serem fabricados, serem importados devido ao baixo preço propiciado pelo subsidio no país de origem. Quando se trata de origem de países do Mercosul, ainda conseguimos compensações. Mas há casos extremos: conservas vindas da China, confecções vindas da Ásia, de várias origens, manufaturados simples. O que falta para poderem ser produzidos a baixo custo no Basil?
Diminuir a carga fiscal? Sim. Diminuir a burocracia das agências de fomento governamentais? Também. Repito então Maria da Conceição Tavares: temos de consertar o rumo de dirigentes que tem o coração à esquerda e a cabeça à direita. Ainda pensam neoliberalmente, pois ainda se pautam por valores ultrapassados forjados na academia do 80. Tem sua formação defeituosa à atrapalhar a ação do presente. Novos valores culturais terão de substituir as desgastadas fórmulas paridas, sabe-se lá se não em Chicago. Há de se rever, não os fundamentos, mas este verniz já gasto de um neoliberalismo morto. Exige-se uma revolução epistemológica, revolução esta que o Metalúrgico iniciou.
Comecemos conosco mesmo; evitemos o importado suplérfuo. Aliás, não era nem para ser importado. Melhoremos nosso comportamento produtivo. Retomemos o esforço que ja´fizemos no passado de banir o desperdício; seja no consumo, seja no processo produtivo. Longos períodos de inflação nos fizeram desaprender as regras básicas de produtividade. Aliás, perdemos até as indústrias, no louco frenesí neoliberal e na voraz política dos juros impagáveis.
Se Dilma nos eleva a esperança, cabe então cobrar e sugerir por todos os meios, a valorização de nossos produtos, etendendo por valorização o estímulo a capacidade produtiva. Podemos exportar commodities sim, podemos ter agro-negócio sim, mas não podemos abrir mão da industrialização.
Sou profissionalmente oriundo da área técnica eletrônica, e ainda me lembro de ter projetado nos anos 60, e produzido também, equipamentos avançados de telecomunicações e eletrônicos em geral. Lembro-me de uma indústria metal-mecânica pujante. Se a globalização as sucateou todas, é chegado o momento de resgatá-las, até para justificar a formação e emprego de técnicos e engenheiros. Recuperamos a indústria naval, temos de recuperar as demais de menor compexidade, mas que empregam grande contingente de mão-de-obra, crescendo então o mercado interno.
Temos de tomar um rumo agora, já. Seja através de controle de capitais, seja pela premiação da produção, seja por ambas, seja como for, temso que tomar atitudes urgentes. Temos que sair do impasse não criado por nós, paciência, mas temos que sair já.
Pelo menos para não fazer coro de lamúrias junto aos G20.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

The day after

Nestas duas últimas semanas, houve muito escândalo na mídia, muitos supostos dossiês, muitos verdadeiros podres apareceram, mas afinal, o que aconteceu com o processo eleitoral ? Se lermos os jornais internacionais, distantes do ruído local, como quem olhando bem do alto do Pão de Açucar só se observa o movimento das ruas; o barulho nem chega lá. Nestes se observa o resultado das pesquisas, pura e simplesmente. Pouco se lhes dá se os nossos jornais perderam a vergonha definitivamente. Se lermos os jornais locais ( há excessões ) parece estarmos diante, não de uma campanha eleitoral, afinal o que está escrito nada tem de cobertura jornalística, é pura e simplesmente uma ação de desespero, mas diante de uma ação evasiva. Percebe-se claramente que já perderam o senso de direção. Algo me diz que trata-se do medo do "The day after" . Não da obra cinematográfica de Roland Emmerich, mas do que será capaz a Dama de Aço. Cobrará as dívidas reais do BNDES? Irá retirar a propaganda do Banco do Brasil, da Caixa, do Governo etc..? Eis a grande dúvida. Por isso entendo o gesto sábio de Dona Lilly Marinho. Sabe-se lá ?...ter de trocar champanhe francês por água de côco?
Vejo que os bombeiros não chegaram, demora-se a levantar a bandeira branca e isto poderá resultar em confronto real. E lembro que a corda arrebenta sempre do lado mais fraco. Quem detém o poder então ? Estarão apostando nos seus acólitos, ou no judiciário manco ? Judiciário que já deu provas que tem a balança desregulada ?
Com tudo isto me questiono se o que passa diante dos olhos não é um processo democrático ou de uma rotina republicana, mas a chegada da hora final para alguns que, quase irracionalmente, acreditavam ter alguma chance diante da sagaz, esperta e cristalina sabedoria de Lula. Entendeu a real natureza de seu posto e viu quem deveria se sentar todo dia em sua cadeira: o povo. Por isso tolerou muita coisa, fez vista grossa para outras, mas não perdeu o obejtivo, que era governar para todos e alcançar o que era mais caro, o desenvolvimento para todos. Tinha noção exata onde deveria chegar e fez tudo que era preciso em termos de rigor, juntamente à tolerância, para alcançar o objetivo. Tanto tinha certeza de sua missão que escolheu alguém absolutamente distante da politicanagem. Alguém que o adversário nem percebeu a força. Mas a força lá estava, qual Daví, que conhecia um meio de vencer e tinha a responsabilidade de sobreviver. Seus adversários não se deram conta do tamanho do embate, pois não estavam acostumados a travar luta neste terreno. As coisas ficavam sempre no dise-me-disse, na troca de favores etc... Quando chegou a hora de entender a origem do termo "companhêro", não perceberam a profundidade deste, ( que come o mesmo pão ) e qual uma Pompadour mandaram comer brioche. Não sabiam que o povo entendia de politicanagem e não iria trocar o pão de cada dia, que agora havia na mesa, por uma promessa vã como todas as outras que lhe fizeram há décadas. Não, não perceberiam a realidade, pois sempre habitarm fora dela. Caso contrário não teríamos nas metrópoles, as favelas, as periferias miseráveis, convivendo com palácios. Não sabiam e não perceberam que a escolha desta mulher era para valer. Só quem poderia perceber era quem estivesse livre da "trava nos olhos, que oculta a visão" (Mt 7:3), ou seja, quem vivesse o dia-a-dia da busca pelo pão de cada dia. Só estes entenderam e sentiram a diferença. Os programas sociais (Bolsa Família, Fome Zero, etc...), que eram chamados de esmola, mostraram que é, e sempre será, a verdade do pão da vida que saciará a fome, a que libertará os povos.
Está escrito em Lucas (6: 25) "-Mas, ai de vós, os que estais fartos, porque tereis fome".
Tenho certeza até que a sabedoria daquela Senhora Marinho, mais que o medo de passar fome, a fez perceber que era chegada a hora de corrigir o passado; pena que os "meninos" Marinho não tenham percebido. Aquela senhora pensou no "the day after".

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Ah, quem dera...

Quem dera, se esta convulção de moralismo fosse verdadeira. Quem dera se estes paladinos da ética se comportassem assim fora da época de eleições. Quem dera fosse sincera tal peroração. Quem dera se se comportassem o tempo todo como honestos e sinceros. O fato real é que esta pantomima não irá convencer senão os querem ser convencidos, mais ninguém.
Nada fala mais alto que o emprego e o bem estar social. E é este o discurso que Dilma e Lula devem manter: lembrar dos milhões e milhões de novos trabalhadores de carteira asinada. Só isto basta para dar fim a este triste espetáculo de hipocrisia e deboche.
Se não bastasse este expediente torpe e primário, com a cara mais deslavada, continuam usando a imagem de Lula. É muito apego ao poder mesmo; também não é pra menos: - como vão enfrentar as cobranças do BNDES ? Como vão agora responder as investigações do Banestado? Como vão agora parar o processo do Arruda ? Como vão se explicar se se aprofundar a investigação da Telemar? Há um sem fim de cobranças que Lula não fez, pois foi maduro bastante para garantir primeiro o crescimento e que agora tais cobranças podem (ou devem) ser consumadas. Aí está a verdadeira causa do desespero. As questões que estão criando tanto desespero não são eleitorais, e sim as dívidas imensas que terão de honrar com o erário. E todos sabem que a Dama de Aço não é de deixar barato.
Aposto com qualquer um que iniciado o mandato de Dilma vai ter muita gente indo para fora do país, esperar para ver o que vai acontecer. Todas estas empresas jornalísticas que estão penduradas no BNDES devem devolver ao Povo Brasileiro, pois esta dívida é para com ele; terão de se decidir, caso contrário...
Acho até que chegando bem próximo ao dia 3, ou seja, lá para semana que vem, vai haver uma fila de enviados negociadores para levantar a bandeira branca. Esperem e verão. Quem dera que fosse para devolver a grana. O problema é que o Brasil não pode parar para ficar fazendo conta. As iniciativas dos programas estruturantes (PAC, Bolsa, PROUNI, etc) já renderam bilhões de receita e de novos negócios, novos empregos. Valor que irá ser muito maior do que estes pesudo-economistas, pseudo-financistas, pseudo-modernos arrogantes surrupiaram do país.
Quem dera se já estivéssemos em tempos de campanha onde estaríamos discutindo programas. Ainda temos que passar pela etapa da baixaria; também pudera, há poucos saímos de tempos coloniais e neo-bobos.
Ah, quem dera.
Quem dera pudessemos cobrar a dívida com juros dos tempos neo-bobos.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Entrevista ?

Tive a oportunidade (rara) de ver a entrevista de ontem 30/08/10 onde a TvGlobo fez uma sabatina na Dilma. Acho que foi a primeira candidata, (se foi sorte ser a primeira, não sei) deixará um referencial de postura, de conhecimento da economia do país e que mostrou estar mais do que preparada para conduzí-la. ( Deixou ainda a clara imagem de quem sabe enfrentar opostos, as vezes até mal educados ). Lembro que diziam que o metalúrgico não estava; olha no que deu, recorde de crescimento econômico.

Não lamento que os que vierem depois nas entrevistas , mesmo sendo apaniguados, venham ser comparados, pois inevitavelmente o serão no dia 3 de outubro. O que está em segundo lugar nas pesquisas, como não sabe refrear a ira e mostra postura descontrolada, poderá sofrer até uma queda nas próximas pesquisas, paciência.

O que importa é que ontem ví uma notória diferença de tratamento dado pelos entrevistadores. Assim como eu, vários outros brsileiros viram. Isto só faz acender o espírito de justiça.

Não se pode mesmo chamar de entrevista e sim uma sabatina, mas que alavancou ainda mais a candidatura de Dilma, ah, isso alavancou sim. Pois aquele que fustigado pelo inimigo mantém a sua postura, a calma e a segurança com que tratou dos assuntos econômicos, terá inevitavelmente de ser reconhecido positivamente, ainda que a própria mídia force a interpretação oposta. Não se trata aquí de opinião política e sim de percepção e sutileza.

Faltando trinta dias dias para as eleições, funcionando à pleno vapor a fábrica de escândalos e futricas, pois só resta agora levantar supostos dossiês, de supostas pessoas, de supostos casos, vejo que a suposta oposição vai mesmo é correr atraz de uma suposta vitória. Já não tem condição de enganar mais ninguém. Como se diz popularmente: quem bate esquece, mas quem apanha jamais. O povo já apanhou muito das besteiras dos doutos neo-bobos. Fazer entrevista com o mesmo viés de pancada, só faz reacender um sentimento de justiça. Será que não aprendem ?
Entrevistas e mídia à parte, vale agora como nunca, a ação da militância ampla geral e gratuita.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

UPP e eleições

Já ouví dizer que as UPP´s seriam eleitoreiras. Realmente não me surpreendo, dado o fato que realizações no passado, mormente no âmbito da Segurança Pública, sempre tinham como objetivo alavancar o pretendende a cargo eletivo, via de regra um secretário de segurança. Mas hoje ninguém pode dizer que as UPP´servem à canditatura do atual Secretário. Maledicências à parte, estas afirmações não passam de eco de periódicos absolutamente comprometidos com a teoria do quanto pior melhor. Não preciso dizer nomes, todos sabem a quem me refiro.
Não preciso ir em socorro das UPP´s; o povo sabe muito bem a sinergia benéfica que elas promovem. Sou vizinho de uma UPP, a da comunidade, futuro condomínio, do Santa Marta. Me obrigo a testemunhar benefícios para moradores no seu entorno, a valorização de seus imóveis, o retorno da vida noturna, o retorno do centro gastronômico, isto sem contar o benefício ao comércio local em todos os níveis.
Mas não é apenas este benefício material que deve ser enfatizado. O maior benefício é o exemplo dado aos menores, que antes tinham na figura do traficante, um ideal de vida, ainda que efêmera.
Cabe ainda a evolução paralela da educação; e aqui me refiro não apenas ao tão reclamada compensação financeira. Me refiro ao compromisso da qualidade do ensino que os educadores têm de ter, se querem merecer este nome. Tenho certeza que os cidadãos das comunidades pacificadas saberão cobrar logo, logo, o seu direito a uma educação de qualidade; direito de qualquer cidadão, não importa a sua inserção em qualquer que seja a classe social, a cor da sua pele, o seu credo religioso. Está na constituição este direito.
Já vencida a etapa da descrença, pois não crer ou não apoiar esta iniciativa do Estado é mera mesquinharia e pequenez, deve se partir agora para a plena presença do Estado, aliás como está sendo feito na vizinha Santa Marta, onde moram cidadãos meus vizinhos.
A educação deve ser a etapa de coroamento desta iniciativa.
Vejo que os horizontes se clareiam e se afirmam na direção da soberania. Soberania que somente será conquistada, quando todos os direitos civís foram plenos, quando a educação for de qualidade para todos, quando as oportunidades foram as mesmas para todos, quando então o fenômeno de um Presidente metalúrgico não seja um fato raro. Quando os filhos de todos os metalúrgicos, de todos os lenhadores, de todos os serventes, de todos os médicos, de todos os banqueiros, de todos os militares, de todos os empresários, de todos os professores, e de todos os demais Trabalhadores, tenham igual oportunidade de viverem com dignidade e aspirarem a comandar o seu Povo.
As UPP´s não são uma realização de caráter eleitoreiro não; são uma realização de caráter cívico. Servem como prelúdio de uma epopéia de libertação.
Que Sergio Cabral seja abençoado por esta iniciativa e que receba a justa recompensa para mais um mandato e que Deus lhe dê saúde para terminar esta obra. Que no futuro tenhamos vários Cabrais, vários Beltrames, várias Dilmas, não importa as suas origens. Para isto temos que construir agora muitas UPP´s. Estaremos sempre agradecidos.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Linda capa de revista

Somente hoje pude ver o bom gosto da revista "EPOCA" ao colocar na capa o "Retrato de Dilma quando jóvem". Talvez estivessem pensando em James Joyce ? Não, estavam praticando a mais primária, ou desesparada, escapatória, atirando o último cartucho talvez. Já não é segredo para ninguém, nem para uns, nem para outros que, há menos de dois meses das eleições, já se configura um resultado. Não esperado pelas oligarquias e inocentes úteis parece. Tinham a ilusão de poder enganar a enorme massa de trabalhadores, antigos e novos, de carteira assinada e mesmo sem carteira, que o neo-bobismo (gosto sempre de usar este neologismo criado pelo engraçado FHC) vai melhorar a vida de alguém, de algum país que seja.
Já não é mais possível sustentar a mentira. Quando esta editora coloca na capa a imagem de Dilma quando jóvem, apenas faz crescer no povo a sua admiração por aquela menina e acaba por gerar o efeito inverso ao que esperavam. Melhor seria colocar programas ou teses, se as têm. Melhor seria uma saída honrosa, do que tentar um expediente tosco como este, que acabou tendo efeito oposto ao que queriam. A militância de Dilma adorou e está produzindo camisetas com esta foto. O que quer dizer: "Ela tem um passado, que não renega", Logo, e este pensamento se desdobra à seguir, tem futuro.
Relamente gostei da capa da "EPOCA" e agora escrevendo apareceu uma dúvida: "-Será que realmente são mais espertos que eu pensava e tentam aumentar a venda nas bancas ?". Nada melhor que guardar esta edição para mostrar no futuro aos jovens brasileiros como vale a pena lutar pela sua Pátria.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

As eleições e a caminhada de Dilma

O termômetro da campanha marca atualmente uma temperatura baixa, pelo menos no que se refere ao comportamento da mídia. Não tendo muito assunto, afora assassinatos e badalações novelísticas, fica muito difícil falar sobre eleições ou sobre política, pois qualquer menção à desenvolvimnto acaba se referindo aos 5% de crescimento do PIB; acaba caindo em Lula, e Lula leva a Dilma. Pronto, não dá para falar. Se falarmos em pleno emprego, outra vez acaba se referindo ao Lula; e novamente lá vem Dilma. Fico aquí pensando como os jornalistas alugados vão se arranjar para gerar pauta consistente e verídica. Na vertente da coluna social a Sra. Roberto Marinho e a Sra. Abilio Diniz acabaram com possíveis esperanças arostrocáticas. Ficou evidente que a Sra. Dilma é e está muito mais preparada que seus concorrentes. Pelo lado da mídia, falar em eleição é falar de corda em casa de enforcado. Por isso acho que, ou vão cavucar ou produzir, se preciso for, algum escândalo ao jeito "mensalão" ou coisa parecida. Não acho não, pois trazer este assunto de novo pode acabar fazendo o "tiro sair pela culatra". Produzir coisa nova, acabou ficando desmorarizante, depois que aquela senhora do caso ANAC, fumante de charuto, encenou uma peça onde deu tudo errado. Ou então agora a última medida: - se fazer parecer como a continuação de Lula. É a única saída que estão encontrando, pois qualquer coisa diferente acaba sendo retrocesso; volta ao desemprego, à dependência ao FMI, ao escárnio internacional, ao desmonte da indústria, e por aí vai.
No plano do Estado do Rio de Janeiro, aí é que não existe espaço nenhum. Sergio Cabral disse ao que veio. Criou uma nova mentalidade do que significa a coisa pública. Está moralizando a Segurança, apoiando a administração do Delegado Beltrame, que mostra ser, mais do que um homem da Segurança, um homem dedicado a causa pública, cuja seriedade e severidade de princípios só angaria apoio do povo, em toda escala, do mais humilde ao mais abonado cidadão. Apoio este que não se encontra apenas aquí no Estado, mas em todo País. Mosrando que a afinação conseguida entre o Prefeito do Rio de Janeiro, o Governador do Estado e o Presidente em torno da coisa pública, beneficiou o mais importante ator político, o próprio Povo. Vale lembrar que a mídia nunca poupou a Segurança Pública; o Rio de Janeiro sempre aparecia como o caso pior. Beltrame virou o jogo e está ganhando de goleada.
Falta agora o povo escolher uma bancada federal e estadual que ajude a dar continuidade a este projeto de Brasil Novo.
Aqui no Rio de Janeiro a festa está animada e muito boa, pois os candidatos ao Senado, o jóvem Linderg Farias, o experiente Piciani já estão léguas à frente dos demais que sequer se pronunciam.
Quanto aos Deputados ainda há muito o que falar. Mas uma coisa fica clara e cristalina: as campanhas nesta eleição agora terão de discutir programas de maneira objetiva; não mais poder-se-á colocar o "se". Quem fez, fez, não precisa condicionar nada. Desenvolvimento e Brasil grande são temas obrigatórios. Soberania passa ser um tema no qual o povo exige posições claras. Neste terreno Dilma deslancha.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Decalaro a minha opção

Não sou amante de futebol, mas fui o chefe de torcida daqui de casa durante os jogos do Brasil; afinal o Brasil estava na festa.
Não dá para não participar também desta festa das eleições, que foi interrompida durante muitos anos. De 1930 até hoje aconteceram nove vezes acredito, sendo que destas algumas foram interrompidas por décadas. Por isso acho que não posso deixar de exteriorizar neste blog minha posição nestas eleições. Quero participar e creio até que tenha esta obrigação. Por isso declaro publicamente meu voto para Presidente da República e a Governador do estado doRio de Janeiro, mas confesso que ainda não escolhi candidatos aos demais postos. Afinal estou chegando cedo. Prometo que logo tenha escolhido os candidatos a senador, deputado federal e estadual farei pública tais opções.
Primeiramente escolho Dilma Roussef. Não se trata de uma opção na realidade, mas de uma constatação. O Brasil novo, passado à limpo, tem na imagem de Dilma a afirmação de valores há muito esquecidos e até despresados: soberania, justiça social, distribuição de renda, emprego. Aliás, foi a imagem que Lula projetou.
Escolho Sergio Cabral, confesso abertamente, pois além de UPP´s, UPA´s, ação social e de uma demostração de espirito público como há muito não se via, é nascido no berço da democracia legitimamente carioca; mais do que "um menino da mangueira" é um "homem da frutificação". Deram frutos definitivos suas ações em direção aos mais humildes e mais carentes.
Daquí até a posse de Dilma e de Cabral só escreverei sobre eleições e sobre os valores que norteiam a minha escolha.
Aos que eu possa humildemente poder pedir, desejo que escolham Dilma como forma de preservar e evoluir o que já conquistamos. Os que vivem do passado, peço ainda que se despojem de preconceito ou rancor e vejam o melhor para as gerações que nos sucederão.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Nem Gilberto Freire, reedição

Tive que rever o texto publicado em março deste ano para poder re-refletir sobre o previsto e o ocorrido, passadas as eleições. Vale, para mim mesmo, uma releitura, uma nova visão. Eis o texto passado:...

Por que Lula escolheu uma mulher para lhe suceder ? Esta pergunta que fiz a mim mesmo, tenta encontrar algumas respostas e quase todas as tentativas fogem do campo político. Tentei também perguntar a outras mulheres e sinceramente não tive nenhuma resposta que me convencesse que estas teriam alguma pista sobre a verdadeira origem.
Que existem nos quadros do governo nomes de extrema competência e com maior exposição e até carisma, não tanto quanto o Metalúrgico, é inegável. Que havia nomes que além de competentes dariam menos trabalho para se propagandizar, também é verdade. Afinal por que escolher um nome que, apesar de sua comprovada competência, está dando um trabalho danado para se tornar popular ?
Para não perder uma oportunidade histórica de quebrar um paradigma. Esta é a única resposta que me ocorre. Não de quebar um paradigma, mas vários. E é este exercício de reflexão e atitude que Lula está obrigando a toda nação a fazer.
Temos de ter em mente que estivemos muito tempo vivendo uma mentira, vivendo na ilha da fantasia do neoliberalismo, onde a riqueza das nações nascia do nada, como se isto fosse possível. Temos que ter em mente que nem os construtores desta grande mentira, ou miragem diriam alguns mais contritos, tinham memória suficiente para sustentá-la durante tanto tempo, tampouco as nações poderiam sustentá-la sem corroer os fundamentos de suas economias. Tem até uma frase de Lincoln que diz que "nenhum mentiroso tem uma memória suficientemente boa para ser um mentiroso de êxito". Estes últimos oito anos foram suficientes para mudar os fundamentos da economia, ou melhor, para reforçá-los, e então expor a mentira neo-boba, como dizia o ex, o sociólogo. Foram suficientes estes oito anos para por a casa em ordem em termos materiais. Mas foram suficientes para resgatar a nossa auto-estima na medida do necessário à aspiração a um futuro mais digno, do que daqueles subservientes lacaios de colarinho branco ?
Para tanto será necessário uma quebra de paradigmas em larga escala. Para tanto temos que olhar para dentro da alma do povo e de lá extirpar valores arcaicos e provincianos. Ser comandado por uma mulher: veja como soa esta frase no inconsciente coletivo. Não tenhamos dúvida que na maioria dos inconscientes soa como captulação, soa como uma derrota.
Ao quebrarmos o paradigma de comando apenas masculino estaremos abrindo espaço para outros avanços e acelerando a evolução para estágios mais maduros de socialização.
Entendo também que a Dona Dilma traz consigo ainda um ícone insuplantável, incômodo para muitos ainda.
Mas é esta mesma semiologia do valente, do intrépido, do rigoroso, que a faz transitar desde a rejeição até a liderança combativa; retira-se o complexo de Amélia e se entroniza Joana D´Arc na alma dos brasileiros.
Lula, que mais do que Presidente foi o nervo exposto da grande massa de excluídos, soube, por que lá vivia, fazer nascer de dentro da alma a aspiração e a fé num futuro mais digno para os seus descendentes, outrora inexoravelmente condenados à exclusão, à miséria, à fome, à marginalidade, ao sub-emprego.
Desta brutal sensibilidade soube captar, ou construir, um símbolo que jamais se tentou ver; que Gilberto Freire tentara em vão.
Mas não basta esta visão profética, não basta esta sensibilidade extremada, se não tivermos a capacidade de convivência com os diferentes. Convivência interna e externa. Convivência com nossos vizinhos andinos e platinos. Temos de dar uma lição de evolução e de democracia, que tanto faltou na nossa história. Mas então repito uma frase que João Paulo II disse em Vitória: "A democracia precisa da virtude, se não quiser ir contra tudo o que pretende defender e estimular".
Se Lula enxergou em Dilma uma virtude, pois ela nãopoderá ter todas, esta foi a da coragem e da honestidade de propósito.
Pois vamos concluindo perguntar: - Alguém pensou que algum dia teríamos uma mulher canditada a Presidente da República ? Nem Gilberto Freire.