Faz uma semana que ando remoendo todas as notícias que falam de Irã, de diplomacia e estou vendo que tudo vai acabar em uma bacia das almas. Mas o que vai ficar claro mesmo é que negociar exige tempo, que o objeto da negociação demora a ser precisamente definido. E esta paciência, este método de persistência muitos não têm. Não tem por várias razões, nem tenho competência para aprofundar em todas as causas. Mas uma coisa fica evidenciada: não existe vontade política de persistir e perseguir o objetivo da paz. Dá muito trabalho. Primeiramente há de se despir de todas as possíveis travas e preconceitos em relação ao outro, e segundo, a definição do objetivo não pode se misturar com interesses outros que não sejam o do entendimento e do mais aceitável, estejamos ou não em posição privilegiada. Mas acima de tudo paciência.
Por esta, rogo que Celso Amorim não fraqueje, pois apesar de todas as pressões, vindas de dentro e de fora, a verdade prevalecerá e as máscaras vão cair; estejam estas vestidas pelos poderosos intransigentes ou mesmo pelo próprio Irã.
Se confirmada má intenção do Irã, o Brasil foi bem sucedido, já que optou pelo caminho da Paz, independentemente de seus interesses na ONU. Se confirmadas as intenções não beligerantes do Irã, todos serão bem sucedidos, inclusive os Estados Unidos, pois terão à menos uma carga orçamentária em dias difíceis de sua economia.
Buscar a Paz é dever de todos. Quem quer que tenha memória das causas da invasão do Iraque do ex-aliado Sam Hussein, saberá o que leva à instabilidade no oriente próximo, a incapacidade de reconhecer o outro.
Quem quer que se dispa de preconceitos e tenha a mente arejada saberá da superposição de interesses, sejam externos e mesmo internos, no Brasil e alhures, afinal o petróleo ainda é a maior das riquezas do planeta.
Acho mesmo que ainda resta na memória dos amigos do norte a ingenuidade de Chamberlain perante a invasão dos sudetos pelos nazistas, mas repito, temos que nos despir dos preconceitos.
Acima das diferenças culturais e religiosas, paira a riqueza do petróleo e, ainda mais, a notável capacidade de seus cientistas, veja Zadeh, pai da lógica fuzzy, Hossein Ghaemi, pai da lógica de circuitos, Abu Wafa Buzjani, matemático, Al-Khwārizmī, a quem devemos a palavra algoritmo, Hamadani, e tantos outros na modernidade.
Há muitos mais valores além do petróleo.
Portanto, paciência e veremso o efeito desta ruptura no processo viciado das relações internacionais.
Algum dia tivemos orgulho de Rio Branco, de Rui Barbosa, não resta dúvidas que nossos filhos e nossos netos se lembrarão do nosso esforço de hoje.
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sábado, 5 de junho de 2010
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Os respingos do contrato nuclear
Não parece, mas o contrato nuclear entre Irã, Turquia e Brasil, teve um alcance muito maior do que seus críticos estão imaginando. Primeiro, porque passou uma semana e não é possível imaginar que neste tempo os governos dos países desenvolvidos não tenham já racionalizado as consequências diplomáticas, econômicas e militares, e depois porque expos a fissura de um sistema de governo. Ou seja, já houve respingos na política interna de todos os países.
Por aqui, não há mais dúvidas sobre quem critica o acordo: a crítica não tem nada relacionado com o acordo em sí. É mero complexo de vira-lata mesmo; "imagina o Brasil se metendo com gente grande". É esse o espírito mesmo, se esquecendo que em passado não tão remoto tivemos missões pacificadoras na América Central de brilhante e competente desfecho.
Quanto aqueles países que acompanham incondicionalmente os Estados Unidos houve um certo ajuste de cursos. Afinal, o que a Hilary fala ecoa internamente, mas está de acordo com o que o Obama determina? Este sincronismo está perfeito? Ou a sagaz Presidente colocou as coisas nos trilhos e botou a Secretária de Estado no seu devido lugar? Tanto "doves" quanto "hawks" não tem uma política externa comum, apesar de buscarem o mesmo fim mas parece mesmo que Obama aproveita a oportunidade para mostrar quem manda.
De qualquer forma, tem muita gente que saiu respingada pela lama esparramada pela aquela senhora no seu pronunciamento prematuro e imaturo. Não tendo a compostura necessária, colocou a política externa dos Estados Unidos numa posição desconfortável. Aparece como negociador ineficaz, já que não tem habilidades senão como guerreiro e, ao mesmo tempo, precisa segurar a credidibilidade da Agência Internacional e também dos parceiros que o seguiram afoitamente. Agora tem de amargar a lenta negociação dentro de casa, ( o Presidente não vai tolerar afoitezas mais ), e dentro dos círculos afins.
O que fico observando com mais proximidade, que são os respingos daqui, é a difícil tarefa de alguns que estão tendo de limpar o discurso após saberem que o texto do acordo foi baseado nas exigências feitas pelo próprio Estados Unidos.
O que faltava era credibilidade mesmo. Só quem pratica a paz pode ensiná-la. Ninguem pode dar aquilo que não possui; e isto a Diplomacia brasileira tem de sobra: Competência de negociação provada e provada e provada, por mais de um século.
Por aqui, não há mais dúvidas sobre quem critica o acordo: a crítica não tem nada relacionado com o acordo em sí. É mero complexo de vira-lata mesmo; "imagina o Brasil se metendo com gente grande". É esse o espírito mesmo, se esquecendo que em passado não tão remoto tivemos missões pacificadoras na América Central de brilhante e competente desfecho.
Quanto aqueles países que acompanham incondicionalmente os Estados Unidos houve um certo ajuste de cursos. Afinal, o que a Hilary fala ecoa internamente, mas está de acordo com o que o Obama determina? Este sincronismo está perfeito? Ou a sagaz Presidente colocou as coisas nos trilhos e botou a Secretária de Estado no seu devido lugar? Tanto "doves" quanto "hawks" não tem uma política externa comum, apesar de buscarem o mesmo fim mas parece mesmo que Obama aproveita a oportunidade para mostrar quem manda.
De qualquer forma, tem muita gente que saiu respingada pela lama esparramada pela aquela senhora no seu pronunciamento prematuro e imaturo. Não tendo a compostura necessária, colocou a política externa dos Estados Unidos numa posição desconfortável. Aparece como negociador ineficaz, já que não tem habilidades senão como guerreiro e, ao mesmo tempo, precisa segurar a credidibilidade da Agência Internacional e também dos parceiros que o seguiram afoitamente. Agora tem de amargar a lenta negociação dentro de casa, ( o Presidente não vai tolerar afoitezas mais ), e dentro dos círculos afins.
O que fico observando com mais proximidade, que são os respingos daqui, é a difícil tarefa de alguns que estão tendo de limpar o discurso após saberem que o texto do acordo foi baseado nas exigências feitas pelo próprio Estados Unidos.
O que faltava era credibilidade mesmo. Só quem pratica a paz pode ensiná-la. Ninguem pode dar aquilo que não possui; e isto a Diplomacia brasileira tem de sobra: Competência de negociação provada e provada e provada, por mais de um século.
terça-feira, 18 de maio de 2010
Acordo Irã Turquia - Viva o Itamaraty
Querendo ou não, temos de apoiar e acreditar no Acordo Nuclear anunciado entre Turquia e Irã, intermediado pelo Brasil.
Temos de apoiar, primeiramente porque um acordo é sempre melhor do que uma contenda; só ao intencional agressor interessa o contencioso.
Temos de acreditar, pois mesmo que seja um engôdo iraniano, este país não poderá durante um bom tempo tentar quebrá-lo, Seria então uma manobra para ganhar tempo? Quanto tempo? Ganhamos este tempo, tempo suficiente para desdobrar, mas com a cabeça fria, estratégias pacificadoras.
No entanto, este acordo serve à todos, tanto ao Irã, quanto a Turquia, quanto a comunidade internacional que vê quão viáveis são as técnicas e estratégias diplomáticas. Serve a OTAN pois melhora as condições do flanco sudeste. Serve também ao povo americano, que tem diminuida a pressão sobre o orçamento militar. É bom para todos, é bom para o Mundo.
Hoje podemos relembrar Rio Branco, temos de lembrar de Paulo Nogueira Batista, de Sérgio Vieira de Mello, de Santiago Dantas, e de tantos outros que nos autorizam o orgulho.
Mas temos que comemorar Celso Amorim, Samuel Pinheiro Guimarães e todos que mostraram o motivo de nosso orgulho: a diplomacia brasileira.
Todos os brasileiros, do mais humilde ao mais importante, ainda que céticos ou descrentes, no fundo, no fundo, sentem uma imensa vaidade de terem a casa de Rio Branco como símbolo da competência e da Paz. Podem até me acusar de ufanismo mas hoje todos os brasileiros podem soltar da garganta um heróico brado retumbante:
Viva o Itamaraty, viva o Brasil
Temos de apoiar, primeiramente porque um acordo é sempre melhor do que uma contenda; só ao intencional agressor interessa o contencioso.
Temos de acreditar, pois mesmo que seja um engôdo iraniano, este país não poderá durante um bom tempo tentar quebrá-lo, Seria então uma manobra para ganhar tempo? Quanto tempo? Ganhamos este tempo, tempo suficiente para desdobrar, mas com a cabeça fria, estratégias pacificadoras.
No entanto, este acordo serve à todos, tanto ao Irã, quanto a Turquia, quanto a comunidade internacional que vê quão viáveis são as técnicas e estratégias diplomáticas. Serve a OTAN pois melhora as condições do flanco sudeste. Serve também ao povo americano, que tem diminuida a pressão sobre o orçamento militar. É bom para todos, é bom para o Mundo.
Hoje podemos relembrar Rio Branco, temos de lembrar de Paulo Nogueira Batista, de Sérgio Vieira de Mello, de Santiago Dantas, e de tantos outros que nos autorizam o orgulho.
Mas temos que comemorar Celso Amorim, Samuel Pinheiro Guimarães e todos que mostraram o motivo de nosso orgulho: a diplomacia brasileira.
Todos os brasileiros, do mais humilde ao mais importante, ainda que céticos ou descrentes, no fundo, no fundo, sentem uma imensa vaidade de terem a casa de Rio Branco como símbolo da competência e da Paz. Podem até me acusar de ufanismo mas hoje todos os brasileiros podem soltar da garganta um heróico brado retumbante:
Viva o Itamaraty, viva o Brasil
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